UNEMET EM FOCO

Ed. 93 - 25/12/2009

EDUCAÇÃO

Avanço da Pós-Graduação depende do Equilíbrio Regional na Oferta de Cursos

Um dos maiores desafios da educação superior brasileira é mudar o mapa da pós-graduação para superar as desigualdades regionais. Essa é uma das diretrizes para o avanço do setor. De acordo com o diretor de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Lívio Amaral, enquanto São Paulo conta com 650 programas de pós-graduação, estados das regiões Norte e Nordeste não chegam a ter dez cursos. Isso influi diretamente na produção técnico-científica brasileira.

"Mais cursos significam mais produção de conhecimento e de ciência e tecnologia", afirmou. Em uma exposição sobre o sistema nacional de pós-graduação, Amaral mostrou como o Poder Público ainda é o principal responsável pela pós-graduação no país. As instituições federais e estaduais são responsáveis por mais de 80% da oferta de cursos de mestrado e doutorado.

A cada três anos, a Capes avalia todos os cursos de pós-graduação stricto sensu do país. Em 2010, serão aferidos mais de quatro mil cursos de mestrado e doutorado. A avaliação abrange termos de proposta, corpos docente e discente, inserção social, teses, dissertações e produção intelectual.

(Informações obtidas do JC E-mail, 26/11/2009)

Brasil não atingirá Meta para Ensino Superior, diz MEC

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, disse que o Brasil não conseguirá atingir a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação para 2011, de que pelo menos 30% da população de 18 a 24 anos frequente a universidade. Em 2008, essa taxa, calculada com base em dados da PNAD, era de 13,71%. Considerando-se todos os universitários brasileiros, independentemente da idade, a taxa bruta de matrículas era de 25,52%.

Para a secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, é "legítimo" que o país leve em conta essa taxa bruta, já que o país convive com atraso escolar em todos os níveis de ensino. Reynaldo Fernandes disse que, nos países desenvolvidos, a taxa bruta costuma ser praticamente a mesma da taxa líquida. Eles já estão atrasados lá atrás. É difícil melhorar na última etapa da cadeia (de ensino). O caminho é lento - concordou Reynaldo Fernandes. Nas instituições federais de ensino superior, houve aumento de 21.513 novas vagas presenciais e à distância, um incremento de 12,2% - somadas as duas modalidades de ensino - em relação a 2007.

Maria Paula apresentou balanço do Reuni, o programa de expansão das universidades federais. Segundo ela, no primeiro ano de vigência do programa, até o primeiro semestre de 2008, foram criadas cerca de 15 mil vagas presenciais. O investimento federal foi de 415 milhões. Até 2012, o investimento previsto é de R$ 3,5 bilhões. A secretária disse que as universidades contrataram 9.489 professores e 6.355 técnico-administrativos. Esse número é quase mais importante do que todo o resto. A transformação da universidade federal está nessa renovação. São profissionais qualificados. Daqui a alguns anos, isso vai significar uma transformação de A a Z na universidade - disse Maria Paula.

(Divulgada pelo O Globo, 27/11/2009).

Cresce Total de Alunos em Universidade Ruim

Universidades com notas baixas nas avaliações federais tiveram aumento de 11% no número de matrículas, aponta o Censo da Educação Superior 2008, divulgado pelo Ministério da Educação. As 588 instituições reprovadas pelo governo concentram 16% dos alunos universitários do país (em números de matrículas, foram de 737 mil em 2007 para 817 mil). O crescimento das escolas ruins é maior que o do ensino superior como um todo, que registrou um aumento de 4% no total de alunos matriculados.

Para educadores os dados mostram que os alunos ainda não levam a qualidade dos cursos como critério principal na hora de escolher uma faculdade. João Ferreira de Oliveira, professor da Universidade Federal de Goiás, afirma que o valor da mensalidade é o fator fundamental para muita gente. E que as instituições mal avaliadas crescem mais justamente porque suas mensalidades são mais baixas - a maioria das reprovadas no indicador do MEC é da rede privada. Já as melhores, diz, crescem menos porque têm de manter a qualidade e, para isso, não podem reduzir muito seus custos. Edson Nunes, vice-reitor da Universidade Cândido Mendes e membro do Conselho Nacional de Educação, afirma também que muitos alunos procuram escolas mal avaliadas porque, para eles, o simples fato de obter um diploma já significa aumento salarial. "É tão bom ter diploma no Brasil que é irrelevante de onde é o diploma."

A secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, diz não concordar com educadores que defendem o fechamento dos cursos ruins. Para ela, o correto é supervisioná-los e aplicar punições como o corte de vagas (recentemente, cursos de medicina e de direito foram punidos). Com menos alunos, na lógica do MEC, seria mais fácil melhorar os cursos. O país tem menos universitários proporcionalmente que Argentina e Bolívia. O MEC considera reprovadas as escolas que, numa escala até 5, ficaram com 1 ou 2 no Índice Geral de Cursos - que leva em conta o desempenho dos alunos numa prova e a qualificação dos docentes (número de doutores), entre outros.

O educador Edson Nunes critica o IGC como índice de qualidade, por comparar escolas com números diferentes de cursos, entre outros pontos. Já o presidente do Inep (instituto de pesquisas do MEC), Reynaldo Fernandes, pondera que, pela metodologia do IGC, sempre haverá escola mal avaliada, pois a idéia é comparar as instituições entre si -ainda que, hipoteticamente, todas tivessem bom nível.

O dado está no Censo da Educação Superior: de 2007 para 2008, o número de vagas ociosas nas instituições estaduais aumentou 9%; nas federais, mais do que dobrou, passando de 3.400 para 7.387 (aumento de 117%). Nessa conta estão incluídas universidades e institutos federais de educação tecnológica, que oferecem ensino técnico de nível superior. Para Reynaldo Fernandes, presidente do Inep (instituto ligado ao MEC), o fenômeno nas instituições públicas está relacionado, principalmente, aos alunos que acabam mudando de graduação, o que faz sobrar vagas nos cursos de origem. Outro problema é a evasão, seja por falta de dinheiro ou dificuldade de acompanhar as aulas.

O secretário-executivo da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), Gustavo Balduíno, disse que esse é um problema que sempre se enfrentou nas universidades. Segundo ele, as instituições estão buscando atacá-lo aumentando a assistência estudantil, com verbas para moradia e alimentação, por exemplo, e investindo em acompanhamento pedagógico dos alunos que entram com mais deficiências trazidas do ensino básico. Segundo ele, também pode ter contribuído para o aumento das vagas ociosas o baixo interesse e a pouca divulgação de cursos recém-abertos, principalmente no interior do país.

Outro problema, no entanto, pode ser um desinteresse dos próprios alunos em concluírem seus cursos no tempo certo. Além das vagas ociosas, o censo revelou que, apesar do aumento expressivo das matrículas nas federais, o número de alunos formados caiu 6%. Segundo a Andifes, isso se deve ao término de diversas turmas especiais criadas nas universidades para professores. É o caso da Fundação Universidade Federal de Rondônia, que apresentou a maior queda no número de formados entre as federais: de 3.238 para 772. A federal de Rondônia afirma que em 2007 o número de graduados teve um aumento devido ao Programa de Habilitação de Professores Leigos do governo do estado, que ofereceu curso superior a professores que não tinham graduação.

Os dados apresentados ontem mostram que o modelo atual de ensino superior está próximo do limite de crescimento. Houve até redução no número de instituições (29 desapareceram; agora, são 2.252 no total), ainda que tenha ocorrido em 2008 pequeno aumento de ingressantes no sistema. É a primeira vez desde 1997 que esse número recua. Para o MEC, isso ocorreu por conta de fusões e compras de escolas.

(Obtida da Folha de SP, 28/11/2009).

Caem Matrículas nos Ensinos Fundamental e Médio

O número de matrículas na educação básica caiu 1,2% entre 2008 e 2009, passando de 53,3 milhões para 52,5 milhões de alunos. O número de escolas também diminuiu desde o ano passado. Este ano são 2.293 instituições de ensino a menos. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e fazem parte do Censo Escolar da Educação Básica 2009, com base em informações repassadas por todas as escolas brasileiras. O ensino básico vai da creche ao último ano do ensino médio e inclui a educação profissional, especial e de jovens e adultos.

Para o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, a queda nas matrículas não significa que esteja havendo aumento da evasão escolar. Ele diz acreditar que o resultado reflita uma melhora no fluxo escolar - menos alunos estariam repetindo o ano - e uma diminuição na taxa de natalidade brasileira a partir dos anos 80. Queda na matrícula não quer dizer que os alunos estão abandonando as escolas. Há duas razões fundamentais: primeiro, há uma redução no número de nascimentos; em segundo lugar, as matrículas são afetadas por fluxos. Se você melhora o fluxo educacional, você tem diminuição da matrícula - disse Fernandes.

Na pré-escola o número de matrículas diminuiu 2% de 2008 para 2009. O Inep diz que a explicação é que, com a mudança do ensino fundamental de oito para nove anos de extensão, há um reflexo na pré-escola, que perde um ano letivo. Já o ensino médio teve uma perda de 0,3% nas matrículas. Os números mostram que, embora a quantidade de matrículas tenha se retraído, há mais alunos nesta fase da educação básica. Este ano, são 8.288.534 estudantes, contra 8.272.159, um aumento de 0 , 2%, ou 16.375 alunos a mais. No Rio, entretanto, a queda foi real: 3,2% no número de matrículas e 15.391 alunos a menos.

O ensino profissionalizante aumentou 8,3%, passando a oferecer 65.655 vagas a mais este ano. Já as matrículas para o turno integral caíram 10,2% no Brasil. No Estado do Rio, foram registradas quase 40.000 matrículas a menos, uma redução de 16% em relação a 2008. Por outro lado, as atividades complementares, oferecidas após o horário regular, têm aumentado em todas as áreas. O acompanhamento pedagógico cresceu 40,4%; atividades relacionadas à arte e cultura, 62,9%; e esportes e lazer, 51,4%. Há 1.441.223 alunos em classes extracurriculares, um aumento de 56,8% com relação a 2008.

O aluno em atividade complementar volta à escola num segundo turno para realizar essa atividade. Isso está aumentando muito, o que é uma solução, inclusive em termos de segurança, já que os alunos ficam por mais tempo na escola - disse a diretora de estatísticas educacionais do Inep, Maria Inês Pestana.

(Publicada pelo O Globo, 01/12/2009).

Pesquisa indica Avanços na Educação de Jovens, mas Alerta para Desigualdades

A situação educacional de brasileiros com idade entre 15 e 29 anos é um misto de avanços, problemas e desafios, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira, dia 3, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O documento tem como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, que indica um total de 49,7 milhões de jovens no país - 26,2% da população.

O Ipea destaca como principal avanço o fato de os jovens, atualmente, conseguirem passar mais tempo em sala de aula e terem maior escolaridade do que os adultos. Em 1998, a média de anos de estudo entre pessoas de 15 a 24 anos era 6,8. No ano passado, a média era de 8,7 anos de estudo entre jovens de 18 a 24 anos. No grupo de 25 a 29 anos, a média chegou a 9,2 - 3,2 anos de estudo a mais do que entre a população acima dos 40 anos. Mas o estudo alerta que o processo de escolarização da maioria dos jovens brasileiros ainda é marcado por oportunidades limitadas e que, no país, prevalecem expressivas desigualdades educacionais entre ricos e pobres, brancos e não brancos, e moradores de áreas urbanas e rurais e das diferentes regiões.

A pesquisa também destaca que apenas a metade dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos frequenta o ensino médio na idade adequada e que 44% ainda não concluíram nem mesmo o ensino fundamental. Nas regiões Nordeste e Norte, as taxas de frequência (36,4% e 39,6%, respectivamente) são bem mais baixas do que no Sudeste e Sul (61,8% e 56,5%, respectivamente). O acesso ao ensino superior é ainda mais restrito, com frequência de apenas 13,6% dos jovens de 18 a 24 anos. Uma boa parcela dos que têm mais de 18 anos - cerca de 30% - conseguiu completar o ensino médio, mas sem buscar a continuidade de estudos no ensino superior.

O Ipea ressalta também que a proporção de jovens fora da escola cresce de acordo com a faixa etária: 15,9%, entre os jovens de 15 a 17 anos; 64,4%, de 18 a 24 anos; e 87,7%, de 25 a 29 anos. Um destaque positivo apontado na pesquisa é que o maior nível de escolaridade também se reflete na menor taxa de analfabetismo entre os jovens. Na faixa de 15 a 17 anos, a queda foi de de 8,2%, em 1992, para 1,7%, em 2008, e, na faixa de 18 a 24 anos, foi de 8,8% para 2,4%, no mesmo período. Entretanto, de acordo com o estudo, a redução do analfabetismo entre jovens nos últimos dez anos não foi acompanhada da diminuição das disparidades regionais, sobretudo no Norte e Nordeste.

(Conseguida da Agência Brasil, 03/12/2009).

Rede Federal é Parâmetro de Excelência em Ensino

Aos cem anos da fundação dos primeiros institutos de artes e ofícios, precursores da rede de ensino profissionalizante dos nossos dias, a educação profissional e tecnológica no país apresenta números tão impactantes quanto os problemas que enfrenta: um milhão de estudantes (sem contar o Sistema S), 480 mil novas matrículas em 2009 e 4 mil escolas, entre federais e estaduais. Se o avanço é indiscutível, também é o tamanho do desafio pela frente. Enquanto no Brasil, de 9% a 10% da oferta de vagas no ensino médio são para cursos profissionalizantes, essa proporção chega a 50% em países como Coreia do Sul e Canadá.

O Ministério da Educação (MEC) afirma, não sem razão, que "nunca antes neste país" esse segmento da educação cresceu tanto. Mas técnicos e especialistas com experiência no setor apontam como desafios enormes ainda sem resposta a insuficiência dos investimentos públicos, a falta de articulação entre a rede federal e as estaduais, a não existência de ferramentas de aferição da qualidade do ensino técnico, além da ausência de mecanismos de interação com o setor produtivo, fundamentais para que haja maior coerência entre os cursos oferecidos e o que o mercado de trabalho em mutação vertiginosa realmente necessita.

Com 272 estabelecimentos em 2009, a rede federal ainda é o parâmetro de excelência, quer pela qualidade de seu corpo docente (com salários e benefícios muito maiores que em outras esferas), quer pela infraestrutura de laboratórios e materiais didáticos, quer pela conjugação entre bom ensino médio generalizante com o ensino tecnológico. O governo Lula diz que encontrou a rede com 140 escolas federais, instituiu outras 132 e chegará ao final com 354 - com R$ 1,1 bilhão de investimentos que resultarão num aumento das vagas de 215 mil para 500 mil.

A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC comemora o lançamento parcial do Sistec, um sistema que unifica informações de 4 mil escolas técnicas do país (incluindo as estaduais, todas com reconhecimento pelo MEC), resultado de negociação para convênios com os 27 Estados da federação, e de um Catálogo Nacional de Cursos Técnicos regulares, com dados de 2006 sobre as 185 modalidades de ensino médio profissionalizante oferecidas no país, que podem ser consultado por estudantes, pais de alunos e empregadores. "Agora a sociedade pode saber que escolas são validadas, quantos ingressaram e quantos estão para concluir, o que se torna ferramenta de planejamento para as unidades de ensino e para os agentes econômicos", avalia Andréa de Faria Barros Andrade, diretora de Supervisão da Educação Profissional do MEC.

Num front paralelo mas não menos importante, depois de uma queda de braço com o chamado Sistema S de ensino técnico e profissional (um universo com mais de 3 milhões de matrículas anuais), o MEC firmou há um ano com o Sesi e o Senac um acordo pelo qual essas entidades se comprometeram a investir respectivamente 50% (Sesi) e 20% (Senac) de sua receita compulsória, ou seja, da verba do imposto sindical, na oferta de vagas gratuitas em suas escolas e institutos.

(Extraída do Valor Econômico, 04/12/2009).



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