UNEMET EM FOCO

Ed. 93 - 25/12/2009

CIÊNCIA, ENERGIA E MEIO AMBIENTE

Liderança Astronômica

Representado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Brasil presidirá em 2010 o Comitê de Satélites de Observação da Terra (CEOS, na sigla em inglês), que reúne 28 agências espaciais e 20 organizações nacionais e internacionais. Estabelecido em 1984, o CEOS é responsável pela coordenação global de programas espaciais civis e pelo intercâmbio de dados de satélites de observação da Terra em benefício da sociedade. No encerramento da 23ª Reunião Plenária do Ceos, realizada em Phuket, na Tailândia, entre 3 e 5 de novembro, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, foi anunciado oficialmente como novo presidente do comitê para 2010.

O CEOS e outras 51 organizações, além da Comissão Européia, fazem parte do Grupo de Observações da Terra (GEO, na sigal em inglês), um painel intergovernamental implantado por uma série de cúpulas em nível ministerial, envolvendo 75 países. O objetivo do GEO é estabelecer, nos próximos dez anos, um Sistema Global de Sistemas de Observação da Terra (GEOSS), cuja finalidade é conceber um futuro no qual as decisões e ações em prol da humanidade serão subsidiadas por informações e observações da Terra de forma coordenada, compreensível e sustentável.

Segundo o Inpe, a presidência do CEOS reforça o reconhecimento mundial do Brasil como líder na disseminação do uso de dados de satélites, por ter sido o primeiro a adotar uma política de acesso livre, com o CBERS, em 2004. O intercâmbio de dados de satélites proporcionado pelo CEOS une esforços e permite, segundo o Inpe, a obtenção de mais informações para o estudo do desmatamento, previsão de desastres naturais, conservação da biodiversidade, entre outras aplicações importantes no atual cenário de mudanças climáticas.

Mais informações no site www.ceos.org.

(Obtida da Agência Fapesp, 09/11/2009).

Índia produz 420 Mil Toneladas de Lixo Eletrônico por Ano

A Índia tem o desafio de dar um destino a 420 mil toneladas de lixo eletrônico produzidas no país ao ano, segundo informações divulgadas no final de outubro pela Toxic Link, uma ONG de defesa do meio ambiente. Esse lixo é produzido por equipamentos eletrônicos descartados, produzidos no país e também importados, segundo Priti Mahesh, do escritório da ONG em Nova Déli. Com o crescimento de anual de 10% a 15% dos resíduos, é possível que o chamado e-waste some 800 mil toneladas no país, em 2010.

De acordo com o Greenpeace, a cada ano os eletrônicos descartados somam até 50 milhões de toneladas de lixo. Se a quantidade gerada anualmente fosse colocada em containeres de um trem, seus vagões carregados dariam uma volta ao redor do mundo, compara a ONG.

(Publicada por G1/Ambiente Brasil, 21/11/2009).

O Sonho de Voar sem Emitir Poluentes

Um avião capaz de dar a volta ao mundo sem usar uma gota de combustível parece ficção, mas não é. Trata-se do Solar Impulse, projeto que tem o objetivo de dar a volta no globo a bordo de um avião movido exclusivamente por energia solar, deixando de lado qualquer outro tipo de fonte energética. Chamada de HB-SIA, a aeronave, semelhante a um aeroplano, deve voar durante o dia e à noite, demonstrando o potencial de uso das energias renováveis. Os suíços Bertrand Piccard e Andre Borschberg, idealizadores da iniciativa, esperam induzir indústria, cientistas, políticos e sociedade civil às mudanças necessárias para alcançar uma melhor utilização dos recursos energéticos e maior respeito ao meio ambiente.

O Solar Impulse nasceu da crença de Piccard de que a maior façanha deste século consistirá na preservação e melhoramento da qualidade de vida no planeta. "O grande desafio é conciliar os interesses econômicos e ecológicos e promover o uso de novas tecnologias para economizar energia e gerar recursos alternativos", afirma o pesquisador ao Correio, por e-mail. Esse desafio se torna pertinente, uma vez que, atualmente, a aviação mundial é responsável por 2% das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês).

À frente do projeto com Piccard, o engenheiro mecânico e piloto André Borschberg comanda a construção do avião, que envolve uma equipe de 65 pessoas composta por especialistas de todas as origens e de diferentes formações - engenheiros de materiais, físicos, gestores de energia e membros da Escola Politécnica Federal de Lousanne (EPFL), considerada uma das principais instituições tecnológicas da Europa.

O desafio não é nada simples. O grupo precisou projetar um avião gigantesco, com a envergadura de um Airbus A340, mas que pesa o mesmo que um automóvel - 1.600kg - e possui motores com a potência de uma pequena moto. Para tanto, as asas e estabilizadores horizontais são todas cobertas por mais de 11 mil células solares que captarão a energia solar, transformá-la em eletricidade e alimentar os quatro motores. O grande problema, no entanto, será a fase em que o HB-SIA voará à noite. Para isso, quatro baterias de lítio serão necessárias para armazenar eletricidade enquanto não houver captação da luz do Sol.

O princípio consiste em acumular energia solar durante o dia, alimentando os motores e recarregando as baterias. À noite, as baterias que foram abastecidas durante o dia passarão a funcionar, mantendo o avião no ar. Nesse período, a aeronave perderá altitude gradativamente para economizar energia - a altitude máxima, quando houver Sol, será de 8.500m. Como só é capaz de voar a 70 km/h, o Solar Impulse levará cerca de 36 horas para dar a volta na Terra. O primeiro vôo de teste deve ocorrer ainda este ano ou no começo do ano que vem, mas a equipe de Bertrand e Piccard não divulgou a data. A circunavegação pelo mundo deverá ser feita em 2012. Até lá, alguns detalhes poderão ser alterados. A equipe avalia a necessidade de construção de uma aeronave com dois lugares, para que a viagem possa ser feita sem escalas. O modelo atual do Solar Impulse tem espaço para apenas um piloto, o que exigiria uma viagem em cinco etapas.

(Extraída do Correio Braziliense, 24/11/2009).

Impacto Fulminante Imediato

Um novo estudo afirma que a supererupção vulcânica de Toba, ocorrida na ilha de Sumatra há cerca de 73 mil anos, resultou no desflorestamento da maior parte da Índia central, em uma área que se estendeu a até 5 mil quilômetros do epicentro. O vulcão teria ejetado estimados 800 quilômetros cúbicos da cinza na atmosfera. Outra conseqüência foi uma cratera de 100 quilômetros de comprimento por 35 quilômetros de largura, que hoje é o maior lago vulcânico do mundo.

De acordo com a pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, a cinza refletiu a luz solar e os aerossóis de enxofre bloquearam os raios solares na região por seis anos, iniciando uma era do gelo que teria durado 1.800 anos. Os cientistas analisaram substrados marinhos na baía de Bengala, que contêm uma camada de cinza resultante da erupção. Também estudaram taxas de isótopos de carbono em sedimentos fossilizados subterrâneos em três regiões na Índia.

Os resultados indicam uma alteração clara no tipo de vegetação encontrada na Índia imediatamente após a erupção. A vegetação que se sucedeu demonstra as condições mais secas e mais frias na região por pelo menos mil anos depois do evento.

O artigo Environmental impact of the 73 ka Toba super-eruption in South Asia, de Stanley Ambrose e outros, pode ser lido por assinantes da Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology em www.sciencedirect.com/science/journal/00310182.

(Informação obtida da Agência Fapesp, 25/11/2009).

Noruega inaugura Protótipo de Energia Osmótica

A empresa Statkraft acaba de inaugurar o primeiro protótipo de energia osmótica do mundo, capaz de gerar potência explorando a energia oriunda da mistura de água doce com água do mar. A energia osmótica é uma fonte renovável sem emissão de poluentes que tem sido pesquisada pela Statkraft por 10 anos e que será capaz de oferecer uma contribuição global substancial à produção de energia favorável ao meio ambiente.

Segundo o ministro norueguês de Petróleo e Energia, Terje Riis-Johansen, "soluções energéticas inovadoras são fundamentais para atender aos desafios climáticos e estou feliz pelo fato de uma empresa norueguesa estar na liderança no desenvolvimento dessas tecnologias"

O protótipo terá uma capacidade de produção limitada e destina-se, primariamente, a testes de desenvolvimento. O objetivo é ser capaz de construir uma central de energia elétrica osmótica comercial dentro de alguns anos. Estima-se que o potencial global da energia osmótica seja de 1.600-1.700 TWh por ano, equivalente a 50% da produção energética total da União Europeia. Centrais de energia elétrica osmótica podem, em princípio, estar localizadas em qualquer lugar onde haja água doce correndo para o mar; elas não produzem ruído ou emissões poluentes e podem ser integradas em áreas industriais existentes, por exemplo, nos porões de edifícios industriais.

A Statkraft tem pesquisado sobre energia osmótica desde 1997 e desenvolveu esse protótipo em cooperação com organizações de P&D de diversos países. O projeto atraiu enorme interesse no mundo todo e diversos convidados internacionais participaram da inauguração. Na Europa, a Statkraft é a maior empresa de energia renovável. O grupo desenvolve e gera energia hidroelétrica, energia eólica, energia a gás e aquecimento urbano à distância, e é um dos principais intervenientes no intercâmbio energético na Europa. A Statkraft também desenvolve energia marinha, energia osmótica, energia solar e outras soluções energéticas inovadoras. Em 2008, a Statkraft registrou receitas operacionais brutas de 3,1 bilhões do euros. O grupo emprega 3.200 funcionários em mais de 20 países.

(Publicada pelo Portal AguaOnline, 01/12/2009).

Brasil se destaca na Área Científica na América Latina

Brasil, Argentina, Chile e México são os países da América Latina com melhores indicadores de desenvolvimento científico. No entanto, na Comunidade Ibero-americana, Portugal está mais desenvolvido neste aspecto que todas estas nações. Os dados são da Rede de Indicadores de Ciência e Tecnologia Ibero-americana e Interamericana (RICYT).

Além de apostar muito em ciência - não só em pessoal, mas também em infra-estruturas e equipamentos -, o governo brasileiro está expandindo este investimento a regiões menos desenvolvidas, não se limitando, como acontecia até há pouco tempo, a São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o delegado português do CYTED, a dinâmica de crescimento do Brasil é a mais rápida na região. Por causa disso, tem aumentado muito a cooperação com Estados Unidos e com países europeus, como Portugal, Espanha e França.

Por outro lado, Portugal tem os melhores indicadores em termos de investimento em ciência e tecnologia da Comunidade Ibero-americana, ao mesmo nível da Espanha, em termos gerais. O gasto total português em pesquisa e desenvolvimento era de 1,21% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, ano em que o da Espanha alcançava 1,27%. No entanto, em 2008, Portugal passou para 1,51%, se distanciando dos demais países da Comunidade Ibero-Americana. Já em gasto por investigador, em 2007 a Espanha foi o país que mais investiu (58,2 milhões de euros), seguida de Brasil (48,7 milhões de euros), Portugal (34,3 milhões de euros) e Argentina (14,9 milhões de euros). A Espanha ficou à frente em número de pesquisadores por população ativa (9,35 por mil habitantes), enquanto Portugal teve 9,16, Argentina, 3,68, e Brasil, 2,02, de acordo com dados da Rede de Indicadores de Ciência e Tecnologia Ibero-americana e Interamericana (RICYT).

A Argentina registrou crescimento do ponto de vista qualitativo e mantém uma boa cooperação científica com o Brasil, segundo o delegado português do CYTED. Brasil e Argentina são, aliás, os países da América Latina com os quais Portugal tem mais relações científicas, através de acordos de cooperação bilateral. Com o México, que desenvolve uma forte cooperação com Estados Unidos, Portugal tem um acordo cultural que prevê alguma cooperação científica, mas menos intensa, afirmou Bonfim, que acredita que serão firmados novos convênios bilaterais. O Chile também tem uma capacidade destacável, com muitas universidades e um bom potencial científico. Bonfim citou ainda como "pequenos países interessantes" Costa Rica e Uruguai, além de Cuba.

O programa Cyted, que envolve Portugal, Espanha e 19 países latino-americanos, está centrado em projetos de pesquisa com potencial de aplicação no desenvolvimento. A iniciativa abrange áreas como saúde, desenvolvimento sustentável, agroalimentar, ciência e sociedade ou desenvolvimento industrial, e o papel de Bonfim é promover a participação de Portugal nessas redes de pesquisadores, sobretudo no que se refere à divisão de resultados.

(Informações do JC-E-mail, 30/12/2009).

UFRJ testa Detergente Biodegradável para Despoluição

A poluição causada por derramamento de petróleo está mais perto da solução. Começarão em 2010 os testes do novo detergente biodegradável para tratamento de áreas contaminadas, criado numa parceria entre o Instituto de Química (IQ), o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Gradução e Pesquisa de Engenharia (Coppe) e a Escola de Química (EQ) da UFRJ e o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). A pesquisa foi iniciada há dez anos, e só agora, com a inauguração da nova unidade-piloto de produção, será produzida quantidade suficiente para testes mais amplos.

Segundo o engenheiro químico da Coppe Frederico Kronemberger, “o composto é produzido naturalmente pela fermentação aeróbia das bactérias Pseudomonas sp., que, isoladas em poços de petróleo, produziam o biossurfactante – nome técnico do composto – originalmente para reduzir a tensão superficial de uma solução, permitindo às bactérias acessar e degradar a cadeias de carbono do petróleo para obter energia”, explica. A utilização consiste na aplicação de uma solução contendo biossurfactantes nas áreas afetadas por derramamento de petróleo. “O detergente biodegradável pode ser utilizado apenas para a lavagem de solos, tanques e/ou dutos contaminados com petróleo, em substituição a algum detergente convencional, ou na biorremediação, na qual o biossurfactante pode ser adicionado a regiões contaminadas com petróleo para auxiliar a sua biodegradação pelos microrganismos já presentes no local”, afirma Kronemberger.

O engenheiro afirma que o produto já passou por alguns testes, mas em pequena escala, por causa da baixa quantidade produzida. “Como todo o detergente biodegradável produzido até hoje na UFRJ, era obtido em pequena escala, os testes de sua aplicação foram realizados apenas em laboratório, porém com ótimos resultados.” O aumento gerado pela inauguração da nova unidade de produção permitirá novos testes em escalas maiores. “Agora os testes de aplicação na lavagem ou descontaminação em alguma área atingida por um derramamento serão realizados a fim de que se definam as melhores condições para a aplicação do produto”, disse.

O detergente biodegradável pode ser utilizado tanto em casos de contaminação de solos quanto da água. O engenheiro afirma que o novo tratamento é mais eficaz que os utilizados atualmente. Segundo Kronemberger, os métodos de hoje não tratam realmente as áreas contaminadas, apenas realocam as partes atingidas. Além disso, os químicos usados acabam contaminando também, já que permanecem no ambiente após serem empregados. “O novo detergente não apresenta esse problema. Após a sua utilização, ele é degradado pelas bactérias do local, produzindo somente CO2”, conclui.

(Publicada pelo Boletim Olha Virtual/UFRJ, 01/12/2009).

Sebrae terá Banco de Dados de Instituições de Ciência e Tecnologia

A partir do primeiro trimestre de 2010, o portal do Sebrae deverá contar com um banco de dados reunindo informações de instituições que atuam na área de ciência e tecnologia. A meta é que esse banco contenha informações de, pelo menos, 500 instituições, além de informações que já estão na base de dados do Sistema Sebrae. O objetivo é reunir as informações em um único ambiente e colocar à disposição das micro e pequenas empresas produtos e serviços oferecidos nessa área, dar suporte às equipes internas da Instituição para o atendimento e orientação aos empreendedores.

A estruturação do banco de dados foi debatida por técnicos da área de inovação e tecnologia do Sistema Sebrae durante treinamento encerrado no dia 27 de novembro, em Brasília (DF). De acordo com o analista da unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia da Instituição Américo o Ciccarelli, entre os principais temas existentes no banco de dados estarão informações sobre capacitação, pesquisa, desenvolvimento e inovação; serviços de ensaio e calibração; consultoria tecnológica; extensão tecnológica; serviços de avaliação da conformidade e prestação de serviços em geral. "Esse banco de dados conterá informações detalhadas sobre os serviços oferecidos por instituição, nome e contato da pessoa a quem o empreendedor poderá dirigir-se para resolver a sua necessidade", informa o analista.

(Informações conseguidas do Portal do SEBRAE/JC E-mail, 02/12/2009).

Abrigo Gelado

O maior episódio de extinção em massa na história da Terra, ocorrido há cerca de 252 milhões de anos no fim do período Permiano, pode ter sido causado pelo aquecimento global. E uma espécie fossilizada descoberta em nova pesquisa sugere que alguns animais terrestres podem ter sobrevivido à extinção por terem se refugiado em locais mais frios, como a Antártica.

Denominada Kombuisia antarctica, a espécie foi identificada por Jörg Fröbisch e Kenneth Angielczyk, do Museu Field, em Chicago, e Christian Sidor, da Universidade de Washington. A espécie pertence a um grande e extinto grupo de parentes distantes dos mamíferos, chamados anomodontes, que eram os herbívoros mais frequentes e dominantes no período. A espécie não era ancestral direto dos mamíferos atuais, mas estava entre as poucas linhagens de animais que sobreviveram em um momento em que a maior parte das formas de vida simplesmente desapareceu.

Os cientistas ainda debatem o que teria causado a extinção do fim do Permiano. Mas estima-se que o fenômeno tenha sido associado com uma atividade vulcânica de grandes proporções na atual Sibéria que pode ter provocado o aquecimento global.

Quando a Antártica serviu de refúgio naquele momento de temperaturas que se elevavam, o continente estava ao norte de sua localização atual, era mais quente e não estava coberto permanentemente com um manto de gelo. O refúgio da Kombuisia antarctica na Antártica, segundo os autores do estudo, provavelmente não foi resultado de uma migração sazonal mas de uma alteração que levou o hábitat do animal mais para o sul do planeta.

Evidências fósseis sugerem que animais de pequeno e médio porte foram mais bem-sucedidos na hora de escapar de uma extinção em massa do que os animais maiores. O motivo é que os menores podem ter adotado comportamentos como hibernação, torpor e encontrar abrigo sob a superfície. Os pesquisadores encontraram os fósseis da nova espécie entre exemplares coletados há mais de três décadas na Antártica e que fazem parte de uma coleção do Museu Americano de História Natural, em Nova York. Segundo ele, os fósseis encontrados forneceram algumas das primeiras evidências da existência de Pangeia e a continuação de sua análise poderá ampliar o conhecimento humano a respeito de eventos que ocorreram há 250 milhões de anos.

(Obtida da Agência Fapesp, 03/12/2009).

Petrobras investe em Supercomputador para Explorar Pré-Sal

A Petrobras acaba de concluir o projeto Galileu, que consiste na instalação de um supercomputador com capacidade de 160 Teraflops - o equivalente à realização de 160 trilhões de cálculos por segundo. O projeto envolveu uma parceria com cinco universidades e investimento de R$ 24,2 milhões. O supercomputador é o maior da América Latina e figura entre as 30 máquinas mais velozes do mundo, de acordo com um levantamento feito pela organização americana Top 500. Essa "supermáquina", na verdade, é constituída por 3,3 mil processadores e mais de 13 mil servidores (computadores de grande porte) que operam em conjunto, o chamado cluster.

Todo esse aparato está instalado em cinco instituições - Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Universidade de São Paulo (USP). A última etapa do projeto foi concluída nesta semana, com o início das operações do sistema na USP, que recebeu investimento de R$ 10 milhões.

O gerente-geral de gestão tecnológica do centro de pesquisas (CENPES) da Petrobras, José Roberto Fagundes Netto, observa que a maioria das universidades com as quais a estatal mantêm parceria em pesquisas precisavam de infra-estrutura adequada para desenvolver novos produtos e tecnologias em menos tempo. A opção da empresa foi investir inicialmente nessa estrutura física. Pela legislação, a Petrobras é obrigada a investir 1% da receita bruta gerada por campos gigantes (com capacidade de extração superior a 1 bilhão de barris) em pesquisa, sendo que 50% desse total deve ser aplicado em instituições nacionais. Nos últimos três anos, a Petrobras investiu R$ 1,8 bilhão em recursos nas chamadas redes temáticas. São redes de pesquisa que a estatal mantém em parceria com universidades e que incluem projetos como o Galileu.

Neste ano, o investimento nas redes temáticas foi de R$ 490 milhões, com projeção de R$ 400 milhões para 2010. "A maior parte dos recursos foi utilizada até agora na instalação de infraestrutura, mas a expectativa para os próximos anos é de que 60% dos recursos sejam aplicados em pesquisa pura e aplicada, o que representará um ganho em termos de resultados", afirma Fagundes.

A conclusão do projeto Galileu exemplifica o rápido avanço dos equipamentos de alto desempenho (conhecidos como HPC ou High Performance Computing). Antes desse projeto, a Petrobras já havia lançado um supercomputador no Brasil. No ano passado, com investimento de R$ 5,8 milhões, a estatal criou o Netuno, instalado no Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) da UFRJ, que possui uma capacidade de 16 Teraflops e é composto por 256 servidores.

Juntos, o projeto Galileu e o Netuno vão ajudar a compor a Grade BR, composta por cerca de 14 mil núcleos de processamento e uma capacidade total de 200 teraflops. Essa rede fornecerá infraestrutura computacional suficiente para que 300 pesquisadores das universidades envolvidas desenvolvam novos programas e simuladores para os trabalhos de pesquisa e perfuração de poços do pré-sal.

(Disponível no Jornal Valor Econômico, 03/12/2009).

Primeiro Espectrógrafo Brasileiro é Concluído

Recentemente, o Brasil concluiu a construção de seu primeiro espectrógrafo, o SIFS. O aparelho, utilizado em observações astronômicas de grande porte, será instalado no Chile, onde a visibilidade do céu é maior. O instrumento parte do Brasil na primeira semana de dezembro. O SIFS é resultado de uma parceria entre o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), as universidades de São Paulo (USP) e Federal de Santa Catarina (Ufsc). Ele é o primeiro equipamento desse tipo inteiramente desenvolvido no país.

SIFS é a sigla em inglês para Espectrógrafo de Campo Integral do Soar, telescópio chileno com espelho principal de 4,2 metros de diâmetro. O SIFS consiste em uma bancada que usa fibras óticas para obter simultaneamente 1.300 espectros, ou seja, nuances de "cores" e raios emitidos por objetos celestes. Com ele, será possível observar melhor corpos extensos como galáxias, mesmo que emitam apenas raios infravermelhos.

Já o telescópio Soar é um consórcio formado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia com os norte-americanos Observatório Nacional de Astronomia Ótica (NOAO), a Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (UNC) e a Universidade Estadual de Michigan (MSU). O equipamento é um dos melhores do mundo devido à sua localização e tecnologia.

(Com informações da JC E-mail, 04/12/2009).

De Olho em Todo o Céu

Com o Wide-field Infrared Survey Explorer (Wise), satélite com lançamento previsto inicialmente para o dia 9, a Nasa, agência espacial norte-americana, ganhará um reforço para observar o céu. Todo ele, para ser mais exato. O objetivo da espaçonave, que terá órbita polar, é fazer um mapeamento completo em infravermelho do céu sobre a Terra. O objetivo é realizar uma varredura e meia a cada nove meses, ajudando a descobrir objetos cósmicos até então escondidos, como estrelas frias, asteróides escuros e as galáxias mais luminosas, que os equipamentos atuais não conseguem distinguir.

“Os ‘olhos’ do Wise representam uma importante melhoria com relação aos mapeamentos em infravemelho anteriores. Descobriremos e catalogaremos milhões de objetos”, disse Edward Wright, pesquisador principal da missão na Universidade da Califórnia em Los Angeles.

A missão mapeará o céu por completo em quatro comprimentos de onda em infravermelho, com sensibilidade de até centenas de milhares de vezes maior do que as anteriores. Os dados servirão como cartas de navegação para outras missões, apontando alvos de grande interesse. Segundo a Nasa, os telescópios espaciais Hubble e Spitzer e os ainda a serem lançados Sofia e James Webb seguirão as descobertas do Wise.

A luz visível é apenas um pedaço do arco-íris eletromagnético do Universo. A luz infravermelha, que o homem não consegue ver, tem maiores comprimentos de onda e é particularmente apropriada para observar objetos que são frios, empoeirados ou estão muito distantes. Um exemplo de objetos que o Wise será capaz de distinguir são milhares de asteróides frios, incluindo centenas deles que passam relativamente próximos da Terra sem serem percebidos.

As medidas que poderão ser obtidas com o satélite também fornecerão melhores estimativas dos tamanhos e composições dos asteróides, informações importantes para entender consequências de possíveis impactos na superfície terrestre. Mais informações: www.nasa.gov/wise.

(Publicada pela Agência Fapesp, 07/12/2009).



Voltar para o índice de notícias