UNEMET EM FOCO
Ed. 84 - 20/06/2009
METEOROLOGIA
Mobilização para manter o Comitê de Ciências Atmosféricas no CNPq
A SBMET em conjunto com várias instituições de ensino e pesquisa de Meteorologia do Brasil vem se mobilizando para que o CNPq mantenha o Comitê de Ciências Atmosféricas e não que passe a enquadrar projetos no Comitê de Engenharia e Ciências Ambientais.
Desta maneira, a UNEMET também está nesta luta e convida e incentiva todos os estudiosos de Meteorologia a se unirem nesta luta enviando mensagens ao CNPq para que evitemos que a nossa profissão mais uma vez seja colocada em segundo plano.
(Extraída do Boletim da SBMET, 01/06/2009).
Mudanças Climáticas e de Padrão de Consumo Influenciam Segurança Alimentar
Educação e desperdício estão entre os principais temas globais diante das mudanças climáticas e dos padrões de consumo. Eles exigem ações articuladas da pesquisa, do governo e do setor privado para garantir a segurança alimentar e a produção com responsabilidade. Esta foi uma das conclusões da audiência pública com o Conselho Assessor Externo (CAE) da Embrapa Agroindústria de Alimentos, realizada no Rio de Janeiro (RJ) em maio e que contou com a presença de setores ligados à ciência, educação, alimentos e políticas públicas.
Segundo o diretor-executivo da Embrapa, José Geraldo Eugênio de França, apesar de já termos milho com potencial para produção de até 12 toneladas por hectare, há regiões no Nordeste que não chegam a 500 kg/ha, por exemplo. Durante a audiência, Luis Fernando Vieira, do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, apresentou dados da USDA e da FAO sobre o impacto das mudanças no padrão de consumo dos países emergentes, principalmente, a China. “O acréscimo de 1 kg per capita no consumo de açúcar, carne e frango, exigirá que o mundo aumente a produção desses alimentos em 3%, 18% e 20%, respectivamente, para atender a demanda”, apontou.
Atrelado ao aumento da produção estão questões como a qualidade nutricional dos alimentos, o problema da contaminação por resíduos e o desperdício de alimentos ao longo da cadeia. Segundo Vieira, as soluções passam pela soma de parcerias para atuar em problemas críticos num horizonte próximo. A fruticultura foi o tema levantado por Moacyr Saraiva, presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (IBRAF) e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Fruticultura, órgão ligado ao Ministério da Agricultura. Segundo ele, as principais demandas do setor passam pela produção integrada de frutas, qualidade e segurança dos alimentos, redução das perdas e difusão de tecnologias.
Para a chefe geral da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Regina Lago, a audiência pública é um dos mecanismos para troca de idéias entre a ciência e a sociedade. “Essas discussões ajudam a identificar demandas e a direcionar a Embrapa, mas também é uma oportunidade para mostrar o que está sendo feito. O diálogo enriquece nossas atividades”. As audiências públicas da Embrapa ocorrem uma vez por ano em cada uma das Unidades da empresa.
(Divulgada pelo JC E-Mail/SBPC, 28/05/2009).
Homenagem a Marcomede Rangel Nunes
O pesquisador Marcomede Rangel Nunes será agraciado com o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro no próximo dia 3 de junho. Marcomede é Físico do Observatório Nacional - MCT, com mais de 30 obras publicadas, entre livros e mapas, em divulgação científica. Tem sete viagens a Antártica, com dois livros sobre o assunto. Atuou nos departamentos de Astronomia, Geofísica e Serviço da Hora. Escreve para revistas e jornais. A homenagem acontecerá às 19 horas no plenário do Palácio Tiradentes.
(Publicada pelo Boletim da SBMET, 01/06/2009).
Correios Lançam Selos Postais Ressaltando a Meteorologia
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos emitiu dois selos postais comemorativos focalizando dois rios brasileiros, ressaltando suas importâncias no contexto ambiental e do desenvolvimento nacional. A emissão também ressalta, através das respectivas logomarcas, o Fórum Social Mundial, evento que promove novas alternativas para o desenvolvimento sustentável com responsabilidade social, e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
As informações sobre o tempo e o clima produzidas pelo INMET apóiam o trabalho da Agência Nacional de Águas e do Ministério de Meio Ambiente, responsáveis por zelar pela utilização adequada dos recursos hídricos e pela implantação de políticas públicas voltadas à proteção de mananciais e à garantia da qualidade de vida. O INMET celebra seu centésimo aniversário em novembro de 2009.
Fonte: http://www.wmo.int/pages/mediacentre/news/stamp.html
(Informação obtida do Boletim da SBMET, 01/06/2009).
Poeira do Deserto do Saara faz Chover na Floresta Amazônica
A poeira do deserto do Saara, na África, tem uma influência importante no regime de chuvas da Amazônia. A afirmação, que pode parecer inusitada à primeira vista, foi comprovada em um estudo realizado por um grupo internacional de pesquisadores – com participação brasileira.
De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do trabalho, o objetivo foi realizar, pela primeira vez em uma região tropical do planeta, medidas de aerossóis conhecidos como núcleos de condensação de gelo – partículas que têm a propriedade de formar nuvens convectivas, influenciando a precipitação, a dinâmica das nuvens e a quantidade de entrada e saída de radiação solar. Segundo Artaxo, ao fazer as medidas, o grupo descobriu que a vegetação da própria Amazônia e a poeira proveniente do Saara são as duas principais fontes dos núcleos de condensação de gelo.
Para realizar o estudo, o grupo utilizou modelos matemáticos que simulam o comportamento das nuvens de gelo em condições amazônicas. “A parte surpreendente é que a poeira do Saara é responsável por uma fração significativa dos núcleos de condensação de gelo da Amazônia, especialmente em altas altitudes e temperaturas mais baixas”, explicou. Segundo Artaxo, o estudo sugere que a contribuição das partículas biológicas locais para a formação de núcleos de gelo aumenta em altas temperaturas atmosféricas – com altitude mais baixa –, enquanto a contribuição por partículas de poeira cresce nas baixas temperaturas das regiões mais altas.
As análises apontaram que os núcleos são compostos principalmente de materiais carbônicos e poeira. “Mostramos que as partículas biológicas dominam a fração carbônica, enquanto a importação da poeira do Saara explica o aparecimento intermitente de núcleos contendo poeira”, contou. A poeira do deserto africano, segundo Artaxo, é um fenômeno atmosférico sazonal cujo pico se dá entre março e o fim de abril. “É um fenômeno de transporte atmosférico de longa distância que já conhecíamos. Mas nunca tínhamos medido as propriedades de nucleação dessas partículas”.
Na primeira fase do estudo a equipe utilizou um equipamento supercongelador para esfriar as partículas a 50 graus negativos e lançá-las na Floresta Amazônica, a fim de fabricar cristais de gelo. A partir da análise, os pesquisadores descobriram que a assinatura elementar das partículas correspondia à assinatura da poeira do deserto do Saara. O segundo passo foi descobrir como essas partículas saem da África e chegam à Amazônia.
Com a pesquisa, o grupo concluiu que a concentração e a abundância de núcleos de condensação de gelo na Amazônia podem ser explicadas, em sua quase totalidade, por emissões locais de partículas biológicas complementadas pela importação da poeira Saariana.
(Extraída da Agência FAPESP, 04/06/2009).
Comissão da Câmara dos Deputados aprova Fundo de Mudanças do Clima com verbas do Petróleo
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou a criação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, cuja finalidade será financiar iniciativas que reduzam os impactos do aquecimento global no Brasil. Pela proposta, 60% dos recursos da 'participação especial' nos recursos provenientes da produção de petróleo, destinados ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), deverão ser redistribuídos para a constituição do Fundo.
O texto aprovado foi o substitutivo do relator, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), a quatro projetos que tramitam apensados e tratam do tema: - Projeto de Lei 2223/07, do deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), que amplia a compensação financeira da indústria de petróleo e gás para a reparação de danos ambientais; PL 2635/07, do deputado Eduardo Valverde (PT-RO), que cria o Fundo Nacional de Mudanças Climáticas por meio da redistribuição dos recursos da participação especial no petróleo; PL 3820/08, do Poder Executivo, que cria o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) a partir da redistribuição do pagamento da participação especial sobre a receita bruta da produção de petróleo; e PL 3570/08, do deputado Anselmo de Jesus (PT-RO), que estende os recursos provenientes do petróleo para produtores rurais recuperarem ou manterem os ecossistemas naturais.
Atualmente, pela Lei 9.478/97, esses recursos devem ser destinados apenas à recuperação de danos ambientais causados por atividades relacionadas ao petróleo. Em caso de grande volume de produção ou de grande rentabilidade, estados e municípios têm direito a receber a participação especial. Essa participação constitui-se da receita bruta, deduzidos os royalties, os investimentos na exploração, os custos operacionais, a depreciação e os tributos. Do valor resultante, ao Ministério de Minas e Energia cabem 40%, ao Ministério do Meio Ambiente 10%, e ao estado produtor 40%. Os 10% restantes devem destinar-se ao município onde ocorrer a produção em terra, ou confrontante com a plataforma continental onde ocorrer a extração, como acontece hoje com a exploração em alto mar nas bacias de Campos e de Santos, entre outras.
No que se refere ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, o projeto determina que seja administrado por um comitê gestor, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Devem participar do colegiado seis representantes do Executivo e cinco do setor não governamental. Os recursos, segundo a proposta, podem ser aplicados por meio de financiamentos não reembolsáveis e reembolsáveis. Nesse último caso, o agente financeiro será o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em regime de prioridade, o projeto segue para análise conclusiva das comissões de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
(Obtida da Revista Águaonline, 09/06/09).
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